Economia criativa – a saída possível
O mundo do trabalho vem mudando de forma cada vez mais acelerada. Estima-se que mais de 80% dos trabalhos que existirão em 2030 serão novos. Somam-se a isso a baixa oferta e a precarização das condições de trabalho, situações que ficaram agravadas e ainda mais explícitas na pandemia.
A lógica capitalista de produção e de mercado ainda gira em torno do esgotamento de matérias-primas, além da manutenção de uma cultura de flexibilizações no que se entende como direitos mínimos dos trabalhadores. Os modelos tradicionais de trabalho estão cada vez menos atrativos, tanto para os trabalhadores, quanto para os consumidores.
O desafio de formular novos modelos de negócio pautados na inovação e na sustentabilidade, lançam luz sobre a alternativa mais viável para a crise do trabalho na pandemia e, muito provavelmente, num pós-pandemia: a economia criativa.
Por se pautar no capital intelectual e cultural como insumo primário, a economia criativa tem na criatividade, no conhecimento e na imaginação a matéria-prima que gera o valor econômico do negócio. Ou seja: cada novo produto ou serviço tem um diferencial criativo, no qual a singularidade de quem faz e como faz é o que agrega valor econômico.
Quando falamos de economia tradicional, o foco consolidado é, principalmente, na agricultura, no comércio e na manufatura. E por muito tempo se pensou que essas atividades não poderiam entrar na lógica da economia criativa.
A economia criativa foca na produção de bens tangíveis ou intangíveis que reforçam valores e significados para a sociedade. Toda atividade possui um potencial de entrega de valor para o público-alvo de maneira não convencional. Quando isso é atrelado a processos ecologicamente e socialmente responsáveis, equilibra-se a equação com a viabilidade financeira e se tem um modelo sustentável de negócio.
Diversos estudos mostram que a economia criativa apresenta mais impactos positivos no desenvolvimento social do que a economia tradicional. Isso acontece pelo potencial de geração de renda, qualidade de vida e bem-estar que esse modelo viabiliza ao valorizar aspectos culturais locais.