O que as cidades nos contam?

Muita coisa já aconteceu nesse chão que hoje a gente pisa. A realidade é tecida de muitas lutas que talvez, agora, nos escapem na distração das redes e do mercado. Muita gente já pintou esse mundão de tudo o que é cor. 

O que enxergamos a nossa volta?

Quantas coisas e lugares vemos todos os dias, que já não percebemos mais?

Quanto tempo mais vamos ignorar as tentativas cinzas de apagamento da história, enquanto nós mesmos nos afastamos da nossa própria memória?

Isso lembra o poema de Mário de Andrade, que nos provoca a pensar no esquecimento de nós mesmos, inclusive, no próprio lugar onde nascemos e vivemos.

Na rua Aurora eu nasci (Mário de Andrade)

Na rua Aurora eu nasci

na aurora de minha vida

E numa aurora cresci.


no largo do Paiçandu

Sonhei, foi luta renhida,

Fiquei pobre e me vi nu.


nesta rua Lopes Chaves

Envelheço, e envergonhado

nem sei quem foi Lopes Chaves.


Mamãe! me dá essa lua,

Ser esquecido e ignorado

Como esses nomes da rua.


Que possamos reascender as chamas da memória e do pertencimento dos lugares que habitamos. A cultura é este lugar de memória e de pertencimento, tanto daquilo que precisa permanecer, quanto àquilo que precisa ser reinventado. A cultura é tudo [mas não pode ser confundida com qualquer coisa].

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